IGP-M, IPCA e FipeZap: muita gente confunde estes índices, mas eles podem te ajudar entender melhor o valor do aluguel

Um chegou a 37,39% nos últimos 12 meses, outro foi negativo e o terceiro ficou em 3,39%. Tanto locatários quanto locadores precisam saber avaliar o que informam esses dois indicadores

Goiânia alcançou o topo no ranking das capitais onde o valor do aluguel mais valorizou as capitais pesquisadas nos últimos 12 meses. O índice divulgado em julho chegou a 37,39%, bem acima da valorização em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Enquanto isso, os índices usados na correção dos contratos de aluguel, o IGPM e o IPCA, tiveram evolução bem diferentes:  -7,72%, no caso do primeiro e 3,39% no caso do segundo. 

Você sabe qual é a aplicação prática de cada um? Quem paga aluguel precisa sempre estar atento à evolução destes indicadores. O FipeZap é usado como referência de valor para definir quanto custa, em média, o aluguel nas cidades e principais bairros Já o IPCA e o IGPM fazem a correção inflacionária dos contratos a cada 12 meses de ocupação do imóvel. “Reajuste é diferente da avaliação de preço”, explica o gerente da URBS Aluguel, Henrique Santos.

“O Fipezap é um índice de preço com abrangência nacional que acompanha os preços, por metro quadrado, de imóveis residenciais e comerciais, para vendas e para locação. Ele dá noção tanto proprietários quanto inquilinos de como estão os valores praticados no mercado”, continua Henrique Santos. O índice é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em informações de anúncios de imóveis para locação veiculados nos portais ZAP+.

Já o IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) é a medição de preços que vão desde os bens industriais, matérias-primas até produtos ligados ao consumidor final. “É um índice inflacionário calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e também é a referência de reajuste para grande maioria dos contratos de locação no país. Alguns contratos usam o IPCA (Índice de Preços aos Consumidor Amplo), no lugar do IGP-M”, informa.

Supondo que os imóveis fossem carros que deram largada juntos em uma corrida de 12 meses, e a velocidade de cada um fosse a correção pelos índices,  o carrinho do IGP-M ficaria parado (pois o índice ficou negativo e os contratos o consideram como zero). Já o carrinho do IPCA andaria a uma velocidade de 3,99 km por mês, enquanto o carrinho do FIPEZAP andaria a uma velocidade de 37,39 km por mês.

“Na prática, significa que um imóvel alugado na largada por R$ 1000, por exemplo, seria reajustado para R$ 1039,90 no final da corrida; enquanto um imóvel desocupado na chegada estaria sendo oferecido para locação ao preço de R$ 1373,90”, diz. 

O Fipezap, destaca Henrique, pode ser útil para o locatário saber se o valor do aluguel está na média que é praticado pelo mercado. “Inclusive, ele deve fazer esta pesquisa antes de se mudar, pois o seu valor de aluguel pode ser bem abaixo da média”, orienta Henrique. Já para o proprietário o Fipezap dá noção de quanto está valendo a locação do seu imóvel, caso ele esteja sem ocupantes e sendo ofertado ao mercado. 

Mas, uma vez assinado o contrato, o valor do aluguel passa a ser corrigido anualmente pelo índice eleito pelas partes – locador e locatário. Os mais usados no mercado são IGP-M e IPCA, que medem a inflação do País e, normalmente, ficam abaixo da valorização do imóvel. “Enquanto durar o contrato, o valor será apenas reajustado para repor as perdas inflacionárias”, explica o gerente da URBS Aluguel. 

Dilema

Rodrigo Aguiar, que é analista de operações, é um exemplo de cliente que está no impasse entre alugar um novo imovel ou não. Ele mora de aluguel na Vila Redenção, em Goiânia, e por motivos de logística, quer se mudar para o Setor Oeste. 

A única questão, é o valor do novo imovel que aumentará bastante. “Há 2 anos, eu moro em casa e estou pagando R$1.200. Quando começamos o contrato, em janeiro de 2021, o valor era R$1.100. Agora, as casas que estamos achando na mesma metragem custam a partir de R$1.500,00 reais”, diz

Henrique aconselha que o analista coloque no papel todos os custos que terão com a mudança nos próximos meses e avalie se vale a pena ou não. “É preciso ponderar se este aumento será compensado com a economia em outros gastos. Ele pode gastar um pouco mais com o aluguel, por exemplo, mas pode economizar com o deslocamento para o trabalho e para outros locais que ele costuma frequentar”. 

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